Durante a criação,
A dor que eu sentia, era tanta,
Que, com um nó no coração,
Outro fechando a garganta,
Decidi abandonar a poesia,
Acabar a inspiração.
Cansado de sentir pena,
Catei restos de lucidez,
E tomei medida extrema:
Escreveria de uma vez,
O meu último poema.
Como quem para de fumar,
Queria eu, delirante,
Naquele exato instante,
Parar também de sonhar.
Rasguei a folha,
Quebrei a pena.
Não mais sequer tentaria
Mesmo em profunda agonia,
Escrever algum poema...
Num acesso de razão,
Tentei até convencer-me
A amputar a própria mão!
Mas então pensei comigo,
Como encontrar refúgio,
Escapar desse perigo,
Que é estar sozinho à noite,
Entregue à solidão?
Quem pode fugir dos sonhos?
Esquecer a própria vida,
Mudar a sorte, o destino,
Estrangular a emoção?
No final, reincidente,
Aqui estou novamente,
Meio homem, meio menino,
Completamente absorto,
Sonhando escrever com a língua,
Nas páginas do teu corpo.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
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Gostei do blog, continue.
ResponderExcluirabraço
Grato Araújo. A inspiração segue lutando com a falta de tempo. Um dia deixará de existir o tempo. Deixarão de existir todas as coisas. Seguirá existindo a emoção.
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