quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Criação

Quero embriagar-me com palavras.
Deixar correr solta a minha mão.
Rastrear sentimentos com a tinta,
Seguir fotografando a emoção.

Misturar a razão do historiador
Com o impulso apaixonado do artista.
Apagar do passado toda dor,
E avançar num enredo futurista.

Misturar as terras existentes,
Com a teimosia dos sonhos persistentes.

Quero sentir as emoções da narrativa.
Brincar com a cor, o riso, o mito!

Esquecendo a sensatez e a voz passiva,
Criar em cada linha uma aventura,
Que vai da minha mesa ao infinito!
Angústia


Ligo em busca dos campos verdes,
Dos jardins floridos,
Da paz.

Uso o caminho da voz para resgatar o amor.
Mas o eco maldito das minhas palavras,
Retorna sofrimento, angústia e dor.

Sinto tua presença,
Sempre forte, pesada, densa,
Diferente da doce leveza,
De quando existe separação.

Voltando ao passado

A volta


Olho para baixo e vejo,
Meu próprio funeral.
Tão poucos amigos,
Tantos parentes.

Tantos risos contidos,
Todos contentes.

Por um momento penso em voltar
E sorrir com eles,
A felicidade de estar,
Num ambiente estranho e ermo,
Livre das correntes que me prendiam
A mim mesmo.

(um poeminha da fase "Augusto dos Anjos"...)