quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Criação

Quero embriagar-me com palavras.
Deixar correr solta a minha mão.
Rastrear sentimentos com a tinta,
Seguir fotografando a emoção.

Misturar a razão do historiador
Com o impulso apaixonado do artista.
Apagar do passado toda dor,
E avançar num enredo futurista.

Misturar as terras existentes,
Com a teimosia dos sonhos persistentes.

Quero sentir as emoções da narrativa.
Brincar com a cor, o riso, o mito!

Esquecendo a sensatez e a voz passiva,
Criar em cada linha uma aventura,
Que vai da minha mesa ao infinito!
Angústia


Ligo em busca dos campos verdes,
Dos jardins floridos,
Da paz.

Uso o caminho da voz para resgatar o amor.
Mas o eco maldito das minhas palavras,
Retorna sofrimento, angústia e dor.

Sinto tua presença,
Sempre forte, pesada, densa,
Diferente da doce leveza,
De quando existe separação.

Voltando ao passado

A volta


Olho para baixo e vejo,
Meu próprio funeral.
Tão poucos amigos,
Tantos parentes.

Tantos risos contidos,
Todos contentes.

Por um momento penso em voltar
E sorrir com eles,
A felicidade de estar,
Num ambiente estranho e ermo,
Livre das correntes que me prendiam
A mim mesmo.

(um poeminha da fase "Augusto dos Anjos"...)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O último poema

Durante a criação,
A dor que eu sentia, era tanta,
Que, com um nó no coração,
Outro fechando a garganta,
Decidi abandonar a poesia,
Acabar a inspiração.
Cansado de sentir pena,
Catei restos de lucidez,
E tomei medida extrema:
Escreveria de uma vez,
O meu último poema.
Como quem para de fumar,
Queria eu, delirante,
Naquele exato instante,
Parar também de sonhar.
Rasguei a folha,
Quebrei a pena.
Não mais sequer tentaria
Mesmo em profunda agonia,
Escrever algum poema...
Num acesso de razão,
Tentei até convencer-me
A amputar a própria mão!
Mas então pensei comigo,
Como encontrar refúgio,
Escapar desse perigo,
Que é estar sozinho à noite,
Entregue à solidão?
Quem pode fugir dos sonhos?
Esquecer a própria vida,
Mudar a sorte, o destino,
Estrangular a emoção?
No final, reincidente,
Aqui estou novamente,
Meio homem, meio menino,
Completamente absorto,
Sonhando escrever com a língua,
Nas páginas do teu corpo.

Gratidão

Gratidão


Agradece filho:

À tempestade, por te mostrar o valor dos abrigos;

À doença, por te ensinar quanto vale a saúde;

Àqueles que te invejam e lançam pequenez sobre teu caminho,
Pois eles te ajudam a descobrir o quanto és grande e digno de atenção;

Agradece aos arrogantes, que te fazem perceber a importância da humildade;

Agradece à dor por te fazer conhecer teus limites;

Agradece à escuridão por te permitir valorizar a luz;

Agradece à fome, por tornar mais saborosa tua refeição;

Agradece à tristeza que muitas vezes encontrarás pelas trilhas da vida,
Pois ela te fará perceber melhor o valor da alegria.

Agradece a cada pessoa que encontras na vida, a oportunidade que cada uma te dá,
De aprenderes a arte da convivência com os seres humanos;

Agradece a Deus por te ter dado a chance de existires,

Assim como eu agradeço a maravilhosa experiência que é ser teu pai.




Brasília, 16/03/2005

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Outras cidades

Há cidades que servem para inspirar.

Há cidades que servem para viver.

Umas nos fazem sonhar.

Outras nos fazem correr.

Há cidades para amar, há cidades para morrer.

Umas são para gastar.

Outras para enriquecer.

Umas nos fazem sorrir,

Outras tantas sofrer, sofrer.

Algumas são só saudades...

Outras, pagar pra ver!





Rio, domingo 13 de dezembro de 2009