quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O último poema

Durante a criação,
A dor que eu sentia, era tanta,
Que, com um nó no coração,
Outro fechando a garganta,
Decidi abandonar a poesia,
Acabar a inspiração.
Cansado de sentir pena,
Catei restos de lucidez,
E tomei medida extrema:
Escreveria de uma vez,
O meu último poema.
Como quem para de fumar,
Queria eu, delirante,
Naquele exato instante,
Parar também de sonhar.
Rasguei a folha,
Quebrei a pena.
Não mais sequer tentaria
Mesmo em profunda agonia,
Escrever algum poema...
Num acesso de razão,
Tentei até convencer-me
A amputar a própria mão!
Mas então pensei comigo,
Como encontrar refúgio,
Escapar desse perigo,
Que é estar sozinho à noite,
Entregue à solidão?
Quem pode fugir dos sonhos?
Esquecer a própria vida,
Mudar a sorte, o destino,
Estrangular a emoção?
No final, reincidente,
Aqui estou novamente,
Meio homem, meio menino,
Completamente absorto,
Sonhando escrever com a língua,
Nas páginas do teu corpo.

Gratidão

Gratidão


Agradece filho:

À tempestade, por te mostrar o valor dos abrigos;

À doença, por te ensinar quanto vale a saúde;

Àqueles que te invejam e lançam pequenez sobre teu caminho,
Pois eles te ajudam a descobrir o quanto és grande e digno de atenção;

Agradece aos arrogantes, que te fazem perceber a importância da humildade;

Agradece à dor por te fazer conhecer teus limites;

Agradece à escuridão por te permitir valorizar a luz;

Agradece à fome, por tornar mais saborosa tua refeição;

Agradece à tristeza que muitas vezes encontrarás pelas trilhas da vida,
Pois ela te fará perceber melhor o valor da alegria.

Agradece a cada pessoa que encontras na vida, a oportunidade que cada uma te dá,
De aprenderes a arte da convivência com os seres humanos;

Agradece a Deus por te ter dado a chance de existires,

Assim como eu agradeço a maravilhosa experiência que é ser teu pai.




Brasília, 16/03/2005